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Céu de Portugal

Chuva de meteoros 2026 em Portugal: calendário e o que se vê hoje

As dez chuvas principais do ano, com a data de pico, a taxa esperada e a Lua de cada noite, e os sítios em Portugal onde o céu ajuda.

Um meteoro das Perseidas risca o céu estrelado por cima de uma linha de árvores, numa fotografia de longa exposição
Imagem: NASA/Bill Ingalls

A 12 de agosto de 2026, a lua nova caiu às 18:37, no mesmo dia do pico das Perseidas e do eclipse solar desse fim de tarde. Quem saiu dessa noite para longe das cidades teve o céu mais escuro possível para a chuva de meteoros mais observada do ano, sem Lua nenhuma até de manhã. Não é sempre assim: em 2026, as Quadrântidas de 3 de janeiro coincidiram com a lua cheia e ficaram praticamente perdidas. É a Lua, mais do que a própria chuva, que decide uma boa noite, e o calendário da chuva de meteoros 2026 abaixo mostra as duas coisas lado a lado.

Calendário de chuvas de meteoros 2026 · taxas horárias zenitais (ZHR) da IMO · iluminação da Lua na noite do pico
ChuvaPicoAtividadeZHRLua no pico
Quadrântidas 3 de janeiro 28 dez – 12 jan 80–120 100%
Líridas 22 de abril 14 – 30 abr 18 28%
Eta Aquáridas 6 de maio 19 abr – 28 mai 50 84%
Delta Aquáridas do Sul 30 de julho 12 jul – 23 ago 25 100%
Perseidas 12 de agosto 17 jul – 24 ago 100 1%
Dracónidas 8 de outubro 6 – 10 out variável 8%
Oriónidas 21 de outubro 2 out – 7 nov 20 73%
Leónidas 17 de novembro 6 – 30 nov 15 46%
Gemínidas 14 de dezembro 4 – 20 dez 150 21%
Úrsidas 22 de dezembro 17 – 26 dez 10 94%
Calendário de chuvas de meteoros 2027 · taxas horárias zenitais (ZHR) da IMO · iluminação da Lua na noite do pico
ChuvaPicoAtividadeZHRLua no pico
Quadrântidas 3 de janeiro 28 dez – 12 jan 80–120 19%
Líridas 22 de abril 14 – 30 abr 18 98%
Eta Aquáridas 6 de maio 19 abr – 28 mai 50 0%
Delta Aquáridas do Sul 30 de julho 12 jul – 23 ago 25 16%
Perseidas 12 de agosto 17 jul – 24 ago 100 77%
Dracónidas 8 de outubro 6 – 10 out variável 56%
Oriónidas 21 de outubro 2 out – 7 nov 20 68%
Leónidas 17 de novembro 6 – 30 nov 15 89%
Gemínidas 14 de dezembro 4 – 20 dez 150 100%
Úrsidas 22 de dezembro 17 – 26 dez 10 32%

Chuva de meteoros 2026: o que ainda falta ver

Do calendário da chuva de meteoros 2026, quatro datas ficam no último trimestre. As Dracónidas, com pico a 8 de outubro, observam-se ao anoitecer e, em 2026, com a lua nova de 10 de outubro a deixar o céu escuro. São imprevisíveis: em muitos anos dão quase nada, e em alguns produziram surtos. As Oriónidas, a 21 de outubro, são fragmentos do cometa Halley, rápidos e com o radiante alto antes do amanhecer. As Leónidas chegam a 17 de novembro, com os meteoros mais rápidos do ano, perto de 71 km/s.

A grande noite é a de 13 para 14 de dezembro, com as Gemínidas. A lua nova é a 9 de dezembro, e no pico a Lua é uma crescente que se põe no início da noite. As Úrsidas, a 22 de dezembro, apanham a Lua quase cheia e são sempre modestas.

Poeira de cometa e um ponto chamado radiante

Uma chuva de meteoros acontece quando a Terra atravessa a órbita de um cometa, ou mais raramente de um asteroide, e apanha a poeira que ele deixou para trás. Os fragmentos são quase todos do tamanho de grãos de areia. Entram na atmosfera a dezenas de quilómetros por segundo e aquecem o ar à sua volta até brilhar, a cerca de cem quilómetros de altitude, muito antes de qualquer coisa chegar ao chão.

Como a Terra passa pela mesma nuvem de poeira todos os anos, as datas repetem-se. As Perseidas vêm do cometa 109P/Swift–Tuttle; as Eta Aquáridas de maio e as Oriónidas de outubro são dois encontros com os restos do mesmo cometa, o Halley.

Todas as trajetórias são paralelas, mas vistas do chão parecem divergir de um ponto, o radiante. É o mesmo efeito que faz uma estrada comprida convergir no horizonte. Um meteoro visto perto do radiante é curto; um visto longe dele atravessa o céu.

A taxa horária zenital e o que se vê na realidade

A tabela indica para cada chuva a taxa horária zenital, ou ZHR, a medida usada pela International Meteor Organization. É uma taxa corrigida: o número de meteoros que um observador veria numa hora com o radiante mesmo por cima da cabeça e um céu perfeito, com estrelas visíveis até à magnitude 6,5.

Ninguém observa nessas condições. Com o radiante a meia altura, perde-se uma boa fração logo à partida, e cada magnitude de céu perdida para a poluição luminosa ou para a Lua divide a contagem por um fator entre dois e três. As Perseidas têm ZHR de 100, e mesmo num sítio escuro de Portugal o que um observador conta na melhor hora fica bem abaixo desse valor. Numa vila iluminada, restam poucos. É honesto dizê-lo: uma boa chuva de meteoros não é um fogo de artifício, é um meteoro de tantos em tantos minutos, e a graça está nos que são brilhantes.

Perseidas, Gemínidas e Quadrântidas no calendário

Na chuva de meteoros 2026, como em todos os anos, são estas as três fortes do calendário. As Perseidas estão ativas de 17 de julho a 24 de agosto, com pico a 12 de agosto e ZHR 100. Ganham em popularidade por uma razão simples, as noites quentes de verão, mas não são as mais ricas.

Esse lugar é das Gemínidas, ativas de 4 a 20 de dezembro, com ZHR 150, e o radiante nos Gémeos acima do horizonte quase toda a noite. O frio de dezembro afasta muita gente, o que é pena.

As Quadrântidas, a 3 de janeiro, têm ZHR entre 80 e 120, mas o pico dura poucas horas e o radiante, no Boieiro, só sobe depois da meia-noite. Em 2027, com a lua nova a 7 de janeiro, a Lua é apenas uma minguante fina de madrugada, o que torna o início do ano mais promissor do que foi em 2026.

Primavera e verão: as chuvas menores

Entre as grandes há outras que só compensam com céu muito escuro. As Líridas, a 22 de abril, têm uma taxa de 18, mas meteoros rápidos e por vezes com rasto persistente. As Eta Aquáridas, com pico a 6 de maio, vêm do cometa Halley e veem-se nas horas antes do amanhecer; em Portugal, o sul leva vantagem, porque o radiante em Aquário sobe pouco. As Delta Aquáridas do Sul, a 30 de julho, têm o radiante baixo a partir de Portugal e meteoros fracos, e confundem-se com as primeiras Perseidas, ativas desde 17 de julho.

Em qualquer noite pode aparecer um bólide, um meteoro mais brilhante do que Vénus. São raros, mas não pertencem só às chuvas, e quem vê um deve anotar a hora, a direção e a duração: são esses dados que permitem, por vezes, calcular a trajetória e procurar fragmentos no chão.

A Lua no pico

Para qualquer chuva de meteoros em Portugal ou noutro ponto do globo, a Lua cheia é o pior cenário. Ilumina o céu inteiro e apaga os meteoros fracos, que são a maioria. Uma Lua em quarto crescente põe-se perto da meia-noite e deixa a madrugada livre; uma Lua em quarto minguante faz o contrário e só nasce a meio da noite. A tabela acima mostra a percentagem iluminada da Lua em cada pico, e as fases da Lua dão as horas exatas.

Onde ver uma chuva de meteoros em Portugal

A chuva de meteoros em Portugal vê-se melhor no interior: a região do Alqueva, com a certificação Dark Sky, a Serra da Estrela e o Parque Natural do Douro Internacional. Nas ilhas, a Ilha das Flores e as zonas altas da Madeira, como o Pico do Areeiro, têm céus muito escuros quando as nuvens deixam. Perto de Lisboa e do Porto, a solução é afastar-se o mais possível para o interior e escolher um horizonte sem cidades, porque a cúpula de luz das duas áreas metropolitanas vê-se a dezenas de quilómetros. Para uma saída ao Alqueva, a página de Évora dá a hora a que acaba o crepúsculo em cada noite.

No terreno, as regras são poucas. Dê aos olhos 20 a 30 minutos no escuro, sem olhar para o ecrã do telemóvel, ou use-o com luz vermelha. Deite-se numa cadeira reclinável ou num colchão e olhe para uma zona do céu a uns 45 graus do radiante, a meia altura, onde os meteoros aparecem com rastos mais compridos. Não use telescópio nem binóculos. A partir da meia-noite as taxas sobem, porque o lado da Terra onde está o observador passa a ir de frente contra a poeira.

Há chuva de meteoros hoje?

Quase de certeza há uma ativa, porque os períodos de atividade duram semanas e várias chuvas se sobrepõem. O painel acima indica as chuvas ativas na noite de hoje e a Lua dessa noite. Longe dos picos, o que se vê num céu escuro são sobretudo meteoros esporádicos, alguns por hora. Mesmo sem pico, uma noite escura de hoje serve para aprender as constelações e para distinguir os satélites, que também atravessam o céu, mas devagar e sem rasto.

Fotografar meteoros

A câmara precisa de um tripé, de uma objetiva grande-angular luminosa, de 14 a 24 mm e f/2,8 ou mais aberta, e de um disparador de intervalos. Com ISO entre 1600 e 3200 e exposições de 15 a 25 segundos, as estrelas mantêm-se pontuais. A seguir, deixe a câmara a disparar em contínuo durante uma ou duas horas, apontada a meia altura e ao lado do radiante; a maioria das fotografias sai vazia, e é normal. Leve baterias de reserva, porque o frio as gasta depressa, e uma fita de aquecimento ou um simples pano à volta da objetiva, que em noites húmidas se cobre de orvalho ao fim de uma hora.

Durante as Perseidas, quem enquadra uma árvore, uma casa de xisto ou um moinho no primeiro plano costuma ficar com as melhores imagens, como na fotografia do topo. As contagens visuais, feitas por observadores de todo o mundo, podem ser enviadas à International Meteor Organization, que as usa para calcular a ZHR de cada ano.

A próxima noite a marcar é a de 13 para 14 de dezembro de 2026: Gemínidas, a Lua posta ao início da noite e o radiante nos Gémeos a subir a leste desde o anoitecer.

Perguntas frequentes

Quando é a próxima chuva de meteoros em Portugal?

O calendário no topo da página marca a próxima por data. No outono de 2026 seguem-se as Dracónidas, com pico a 8 de outubro, as Oriónidas a 21 de outubro e as Leónidas a 17 de novembro. A mais forte do ano, as Gemínidas, tem o pico a 14 de dezembro, e as Quadrântidas abrem 2027 a 3 de janeiro.

Qual é a melhor hora para ver as Perseidas?

Depois da meia-noite e até ao início da aurora, nas noites de 11 para 12 e de 12 para 13 de agosto. O radiante, em Perseu, sobe no céu de nordeste ao longo da noite, e quanto mais alto está, mais meteoros aparecem. Ao anoitecer já se veem alguns, poucos mas por vezes muito compridos.

Há chuva de meteoros hoje?

Quase sempre há alguma ativa, porque os períodos de atividade duram semanas e sobrepõem-se. A pergunta útil é se está perto do pico. O painel no topo mostra as chuvas ativas na data de hoje e a iluminação da Lua; fora das datas de pico, uma noite escura dá sobretudo meteoros esporádicos, alguns por hora.

É preciso telescópio para ver uma chuva de meteoros?

Não, e até atrapalha. Os meteoros aparecem em qualquer ponto do céu e duram menos de um segundo, pelo que o instrumento certo são os olhos, com o maior campo de visão possível. Uma cadeira reclinável, roupa quente e um sítio sem luzes por perto valem mais do que qualquer equipamento.

Qual é a chuva de meteoros mais forte do ano?

As Gemínidas, em dezembro, com uma taxa horária zenital de cerca de 150 na lista da International Meteor Organization. Ao contrário da maioria, vêm de um asteroide, o 3200 Faetonte, e o radiante nos Gémeos está acima do horizonte quase toda a noite. As Quadrântidas podem igualá-las, mas só durante poucas horas.

O que é o radiante de uma chuva de meteoros?

É o ponto do céu de onde os meteoros parecem sair, um efeito de perspetiva, como os carris de uma linha de comboio que parecem juntar-se ao longe. Os fragmentos viajam em trajetórias paralelas; o radiante dá o nome à chuva, como Perseu às Perseidas ou os Gémeos às Gemínidas.