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Céu de Portugal

Eclipse solar em Portugal: 2026, 2027 e as horas exatas em cada cidade

Os eclipses do Sol e da Lua visíveis a partir do continente, da Madeira e dos Açores, com a percentagem e a altura do Sol em cada cidade.

O Sol parcialmente eclipsado a nascer sobre a água, por trás de um farol, com a parte tapada pela Lua bem visível no disco
Imagem: NASA/Bill Ingalls

Às 19:30 de 12 de agosto de 2026, o Sol estava a 10 graus acima do horizonte de Bragança e 99,9% do disco estava tapado pela Lua. Faltou uma lasca de luz para a totalidade, que passou ali ao lado, em Espanha. No Porto a cobertura chegou a 98,2% às 19:31, em Lisboa a 94,4% às 19:35, e o Sol pôs-se pouco depois. Até 2034, nenhum eclipse solar em Portugal volta a tapar tanto o Sol sobre Bragança, o Porto ou Lisboa, e o próximo eclipse solar já tem data: 2 de agosto de 2027, numa manhã de verão, com o Algarve e a Madeira quase às escuras. As horas e percentagens para cada capital estão na tabela abaixo.

Eclipses do Sol vistos de Portugal · percentagem do disco solar coberta no máximo · hora local
Local12/08/2026 (passado)2/08/202726/01/20281/06/2030
Lisboa 94,4% · 19:3592,4% · 09:4481,2% · 16:5461,3% · 06:07 · abaixo do horizonte
Porto 98,2% · 19:3182,4% · 09:4675,6% · 16:5357,3% · 06:10
Faro 92,7% · 19:3899,2% · 09:4582,7% · 16:55 · anular65,5% · 06:04 · abaixo do horizonte
Bragança 99,9% · 19:3080,1% · 09:4876,1% · 16:5357,6% · 06:10
Coimbra 97,1% · 19:3386,5% · 09:4678,4% · 16:5359,1% · 06:08
Évora 95,1% · 19:3693,4% · 09:4582,5% · 16:5462,5% · 06:06 · abaixo do horizonte
Funchal 77,4% · 19:4697,2% · 09:3483,2% · 16:50 · anular—
Ponta Delgada 76,8% · 18:3787,1% · 08:3260,7% · 15:42—
Eclipses da Lua · máximo em hora de Lisboa · altura da Lua em Lisboa
DataTipoMáximoAltura da LuaVisível em Lisboa
3 de março de 2026 total 11:33 -42° Não (Lua abaixo do horizonte)
28 de agosto de 2026 parcial 05:12 20° Sim
20 de fevereiro de 2027 penumbral 23:12 53° Sim
18 de julho de 2027 penumbral 17:02 -45° Não (Lua abaixo do horizonte)
17 de agosto de 2027 penumbral 08:13 -15° Não (Lua abaixo do horizonte)
12 de janeiro de 2028 parcial 04:13 43° Sim
6 de julho de 2028 parcial 19:19 -19° Não (Lua abaixo do horizonte)
31 de dezembro de 2028 total 16:51 -5° Não (Lua abaixo do horizonte)

12 de agosto de 2026: um eclipse ao pôr do sol

A faixa de totalidade de 2026 atravessou a Gronelândia, a Islândia e Espanha, e a cidade de Bragança ficou fora dela por pouco. O eclipse foi parcial em todas as capitais de distrito, mas com números raros: além de Bragança e do Porto, Faro teve 92,7% do disco tapado às 19:38, com o Sol a 8,6 graus de altura.

O problema foi a altura. Em Lisboa, o máximo aconteceu com o Sol a 10,3 graus, baixo sobre o horizonte oeste, onde qualquer prédio, árvore ou banco de nuvens bastava para esconder o espetáculo. O eclipse começou às 18:39 e o fim, às 20:28, chegou com o Sol já rente ao horizonte.

As ilhas tiveram outra geometria. No Funchal, 77,4% às 19:46, com o Sol a 13,4 graus; em Ponta Delgada, 76,8% às 18:37 da hora dos Açores, com o Sol mais alto, a 22,8 graus. Menos cobertura, mais margem para o ver.

O próximo eclipse solar em Portugal: 2 de agosto de 2027

Um ano depois, a Lua volta a passar à frente do Sol, desta vez de manhã e com o Sol alto. É o próximo eclipse solar em Portugal com impacto sério, e é mais favorável do que o de 2026 em quase tudo. A totalidade passa pelo sul de Espanha, pelo Estreito de Gibraltar e pelo norte de Marrocos, seguindo depois pelo Norte de África até ao Egito, onde, perto de Luxor, dura mais de seis minutos.

Portugal fica na margem norte da faixa. Faro chega a 99,2% às 09:45, com o Sol a 35,8 graus. O Funchal tem 97,2% às 09:34, Lisboa 92,4% às 09:44, Ponta Delgada 87,1% às 08:32 da hora local, o Porto 82,4% e Bragança 80,1%. Em todas as capitais do continente e no Funchal, o eclipse dura mais de duas horas; em Lisboa começa às 08:40 e acaba às 10:54.

Quem quiser a totalidade tem de atravessar a fronteira. De Faro até à costa de Cádis, dentro da faixa, são poucas horas de carro, e é de esperar que as estradas e os alojamentos da Andaluzia fiquem cheios com muita antecedência. Para quem fica em Portugal, a recomendação é simples: escolha um sítio com horizonte limpo a leste, que é onde o Sol estará nessa manhã.

26 de janeiro de 2028: um anel sobre o Algarve e a Madeira

O eclipse de 2028 é anular: a Lua passa à frente do Sol, mas com um disco aparente mais pequeno, e sobra um anel de luz. Segundo os cálculos, Faro fica dentro da faixa de anularidade, com o máximo às 16:55, e o Funchal também, às 16:50. Em Lisboa, o eclipse é parcial, com 81,2% às 16:54.

Um pormenor que engana: num eclipse anular a percentagem fica sempre abaixo dos 100%, e neste caso bem abaixo. Faro, dentro do anel, fica com 82,7% do disco coberto, menos do que Lisboa terá em 2027 com um eclipse apenas parcial, porque a Lua de janeiro de 2028 não é grande o suficiente para tapar mais. O Sol estará baixo, a 8,9 graus em Faro e a 9 graus em Lisboa, e o fim, às 18:07 em Lisboa, chega com o Sol já no horizonte ou abaixo dele. No Funchal, com o Sol a 18,3 graus, as condições são bem melhores.

2030 e depois

A 1 de junho de 2030, o eclipse chega a Portugal ao nascer do Sol. Em Lisboa, o máximo, com 61,3% do disco tapado, acontece às 06:07, quando o Sol ainda está 1,2 graus abaixo do horizonte. O Sol nasce já eclipsado e a Lua sai de cima dele até às 07:05. Em Bragança, onde o Sol está a 2 graus no máximo, a cobertura é de 57,6%. Depois disso, o calendário fica fraco: a 20 de março de 2034, Lisboa terá apenas 5,1% do disco tapado.

Porque não há um eclipse todos os meses

A Lua passa entre a Terra e o Sol em cada lua nova, doze ou treze vezes por ano, mas a sua órbita está inclinada cerca de cinco graus em relação à da Terra. Na maior parte dos meses, a sombra passa por cima ou por baixo do planeta. Só quando a lua nova calha perto de um dos dois pontos em que as órbitas se cruzam há eclipse, e isso acontece em duas épocas por ano, com cerca de seis meses de intervalo. Por isso os eclipses de 2026 e de 2027 aconteceram ambos em agosto, e o de 2028 em janeiro.

A mesma lógica explica os pares. Duas semanas depois de um eclipse do Sol, a lua cheia seguinte cai perto do outro ponto de cruzamento e a Lua entra na sombra da Terra: ao eclipse solar de 12 de agosto de 2026 seguiu-se o eclipse lunar de 28 de agosto. Nesse mesmo mês, a lua nova do eclipse deixou o céu escuro para o pico das Perseidas, que a página da chuva de meteoros acompanha ano a ano.

A que horas olhar: início, máximo e fim

Cada eclipse tem três horas que importam: o primeiro contacto, quando a Lua começa a morder o disco; o máximo; e o último contacto. As percentagens da tabela referem-se à área do disco solar tapada no máximo, e não ao diâmetro, que é outra medida usada nalgumas publicações e dá valores mais altos.

Nos primeiros minutos quase nada muda à volta. Com metade do disco tapado, a luz do dia continua a parecer normal a quem não sabe o que se passa; só perto dos 90% a luz fica metálica, as sombras ganham contornos mais nítidos e a temperatura desce um pouco. Para qualquer eclipse solar em Portugal, as horas da tabela estão em hora legal, e para os Açores já vêm em hora local, uma hora atrás do continente. Os mapas oficiais de cada eclipse estão no site de eclipses da NASA.

Quando o eclipse acontece com o Sol baixo, como em 2026 e em 2028, a hora do pôr do Sol pesa tanto como a do máximo. As páginas do nascer e pôr do sol dão essa hora para cada capital, e a de Faro é a mais útil para o eclipse anular de janeiro de 2028.

Eclipse lunar: os que se veem de Lisboa

Um eclipse lunar vê-se de todo o lado da Terra onde a Lua estiver acima do horizonte nesse momento, e por isso a pergunta útil é só essa: a que altura está a Lua? O eclipse lunar total de 3 de março de 2026 falhou Portugal por completo, com a Lua 42 graus abaixo do horizonte de Lisboa. O parcial de 28 de agosto de 2026 viu-se bem, com o máximo às 05:12 e a Lua a 19,8 graus, baixa a oeste antes do amanhecer.

O próximo eclipse lunar com boa posição é o penumbral de 20 de fevereiro de 2027, às 23:12, com a Lua a 53,4 graus. Os penumbrais apenas escurecem o disco ligeiramente, e muita gente não dá por eles. Os de 18 de julho e 17 de agosto de 2027 acontecem com a Lua abaixo do horizonte. O parcial de 12 de janeiro de 2028, às 04:13, com a Lua a 42,6 graus, é o seguinte a ver. A 31 de dezembro de 2028 há um eclipse total, mas no máximo a Lua ainda está 4,8 graus abaixo do horizonte de Lisboa; nasce já dentro da sombra da Terra. As datas de lua cheia de cada ano, onde os eclipses lunares acontecem sempre, estão nas fases da Lua.

Ao contrário do Sol, a Lua eclipsada pode ver-se sem proteção nenhuma, a olho nu, com binóculos ou com telescópio.

Como ver um eclipse sem estragar os olhos

Fotografar é outra questão. Um Sol parcialmente eclipsado a nascer ou a pôr-se por trás de um farol, de uma torre ou de uma serra dá as imagens mais conhecidas destes eventos, porque o primeiro plano mostra a escala. Para isso, a câmara precisa de um filtro solar à frente da objetiva durante quase todo o eclipse; só nos últimos graus acima do horizonte, quando a atmosfera já atenua muito a luz, alguns fotógrafos o retiram por segundos, e mesmo assim sem olhar pelo visor ótico.

Olhar para o Sol sem filtro, mesmo com 99% do disco tapado, pode queimar a retina. A lasca que sobra continua a ter o brilho da superfície solar, e a retina não tem recetores de dor. Os únicos filtros de olhar direto aceitáveis são os que cumprem a norma ISO 12312-2, vendidos como óculos ou folhas para eclipse, e o vidro de soldador de grau 14. Óculos de sol, vidro fumado, radiografias, CD e negativos fotográficos não protegem.

Binóculos, telescópios e teleobjetivas concentram a luz e são mais perigosos ainda. Só se usam com um filtro solar certificado preso à frente da objetiva, nunca junto ao olho. A alternativa mais segura é a projeção: um furo de alfinete num cartão projeta a imagem do Sol numa folha branca a meio metro, e a sombra de uma árvore com folhas miúdas enche o chão de pequenos crescentes.

Os óculos certificados esgotam nos meses antes de um eclipse grande. Para o de 2 de agosto de 2027, com início às 08:40 tanto em Lisboa como em Faro, o melhor é comprá-los no início do ano, numa loja de material astronómico, e confirmar a referência à norma ISO 12312-2 na embalagem.

Perguntas frequentes

Quando é o próximo eclipse solar em Portugal?

A 2 de agosto de 2027, de manhã. Em Lisboa começa às 08:40, atinge o máximo às 09:44 e termina às 10:54, com 92,4% do disco solar tapado. Faro fica com 99,2% e o Funchal com 97,2%. A totalidade passa pouco a sul, no sul de Espanha e no norte de Marrocos.

Vai haver um eclipse total do Sol visível em Portugal?

Nenhum dos eclipses solares calculados para as cidades portuguesas até 2034 é total. Os mais próximos foram o de 12 de agosto de 2026, com 99,9% em Bragança, e o de 2 de agosto de 2027, com 99,2% em Faro. A 26 de janeiro de 2028, Faro e o Funchal ficam dentro da faixa de um eclipse anular.

Posso ver um eclipse com óculos de sol?

Não. Os óculos de sol, mesmo os mais escuros, deixam passar radiação suficiente para queimar a retina, e a lesão não dói no momento. Só servem filtros certificados pela norma ISO 12312-2, vidro de soldador de grau 14 ou a projeção da imagem numa folha. Binóculos e telescópios precisam de filtro solar à frente da objetiva.

Quando há um eclipse lunar visível em Portugal?

O próximo com a Lua acima do horizonte de Lisboa é o penumbral de 20 de fevereiro de 2027, com o máximo às 23:12 e a Lua a 53 graus de altura. Mais marcado será o parcial de 12 de janeiro de 2028, às 04:13, com a Lua a 42,6 graus. Os de julho e agosto de 2027 não se veem.

O que é um eclipse anular?

É um eclipse em que a Lua passa exatamente à frente do Sol, mas está perto do ponto mais afastado da sua órbita e o seu disco aparente é mais pequeno do que o do Sol. Fica à vista um anel de luz à volta da Lua. Durante toda a fase anular continua a ser obrigatório usar filtro.

Porque é que a percentagem do eclipse muda de cidade para cidade?

A sombra da Lua tem poucas centenas de quilómetros de largura na parte mais escura e desloca-se sobre a Terra a milhares de quilómetros por hora. Cada cidade vê a Lua em posição ligeiramente diferente em relação ao Sol. Por isso Bragança, mais perto da faixa de totalidade de 2026, teve mais Sol tapado do que Lisboa ou Faro.